Novidades e mudanças

dezembro 10, 2013 Anabela (Aproveitar a Vida) 5 Comentários

Finalmente consigo vir cá contar-vos as mudanças dos últimos dias. Toda esta pausa teve a ver com a ida do Tiago para o jardim de infância. O único onde o tinha inscrito e para o qual só agora teve vaga.

Como devem calcular, não tem sido fácil. Para quem, toda a vida, dividiu o seu tempo entre pais e avós, é uma mudança difícil. Por mais regras que impuséssemos cá em casa e por mais convivência que tivesse com crianças, não é fácil ter de se habituar a certas regras e rotinas e a perceber que não pode fazer tudo o que quer. 

Felizmente, a nossa vida profissional  e o facto do meu pai estar reformado permitiram que não fosse necessário colocá-lo num infantário. Assim, esperámos até aos três anos para o inscrever num jardim de infância público. Na altura gostei apenas de um. Um ambiente familiar, poucas crianças e sem escola ao lado. O espaço é apenas para o pré-escolar. A juntar a isso, sempre tive boas referências de quem tinha lá os filhos, inclusivé o Tiago já conhecia duas meninas, irmãs de alunos que tenho nas explicações. Não podia ser melhor.

O único problema é que já esperava que não tivesse vaga. E assim foi, até à bem pouco tempo. Até equacionámos colocá-lo num infantário mas como queríamos voltar a inscrevê-lo novamente no ano seguinte, achámos que não havia necessidade de fazê-lo passar por duas adaptações em tão pouco tempo. Assim, e depois de conversar com o meu pai, decidimos que ficaria mais um ano em casa. Tentaríamos a socialização como sempre fizemos, embora soubéssemos que não era a ideal. Algum desporto de forma regular (neste momento faz ginástica duas vezes por semana), passeios em sítios com criançada e brincadeira com os meus explicandos mais novos, aqui por casa.

Há cerca de três semanas atrás ligaram-me a dizer que ele tinha vaga no tal jardim de infância. E assim lá começou a nossa mudança. Fomos lá conhecer a nova educadora e auxiliar, que gostei imenso.

Como foi/tem sido a adaptação? Complicada. Mas não estava à espera de outra coisa. O primeiro dia foi uma maravilha. Ficou bem, nunca chorou e andou a brincar sozinho. Segundo dia, o caos. Ficou a chorar e foi difícil acalmá-lo. Terceiro dia não foi melhor. Dai por diante tem sido mais ou menos. Há dias que chora para ficar e outros que não (embora poucos). De manhã pergunta se é dia de escolinha e se digo que sim, começa logo a chorar a dizer que não quer ir. Embora o início tenha sido difícil (e ainda continua a ser), noto que tem estado mais alegre quando o vou buscar e isto tem melhorado a cada dia que passa. Vai-me contando coisas que faz enquanto está lá e já aprendeu uma canção nestas três semanas.

Percebi, no início, que o desespero dele era a pensar que o deixávamos lá e que não o íamos buscar. A sensação de abandono que tentamos desesperadamente que não sinta, repetindo vezes sem conta que o vamos buscar sempre, que ninguém fica na escolinha, que os meninos e os professores vão todos para casa. Com o tempo vai comprovando isso mesmo e acalmando.

Outra questão que está a dificultar a adaptação é o facto de entrar nesta altura, em que todos os meninos já se conhecem e ele não conhece ninguém. Tem sido difícil mas vejo bastantes progressos, o que deixa este coração de mãe galinha um pouco mais descansado.

O que temos feito para ajudar na adaptação? Falar, falar muito. Tentar diminuir a ansiedade devido a situações inesperadas, mostrando o que pode fazer caso aconteça esta ou aquela situação. Mostrar-lhe as coisas divertidas que pode fazer na escola e perguntar sempre o que fez e como foi a manhã. E ouvir, com atenção, o que me diz. Noto que isso é muito importante para ele.

Já assisti a adaptações de outras crianças, quando trabalhei numa creche mas nunca senti na pele o que é estar do outro lado. E é complicado. Muito!  Tentamos fazer tudo para que a adaptação seja fácil. Umas vezes acertamos, outras fazemos mais mal do que bem. Pressionamos, mesmo sem o percebermos.

Optámos por ir buscá-lo às 13h e não as 15h por vários motivos. Ainda é muito pequeno, notamos que continua a precisar de fazer a sesta e, desta forma, tentamos que não haja uma grande diferença entre o dia-a-dia que conhecia até agora e as mudanças que está a ter.

Acaba por ter o melhor dos dois mundos. Socializa, cria amizades, aprende regras e rotinas mais certinhas, continua a ter a presença dos pais grande parte do seu dia e o sono não fica prejudicado. No ano seguinte terá tempo para se adaptar ao horário completo. Esta é, sem dúvida, a melhor vantagem de trabalhar a partir de casa. A flexibilidade que nos permite ter opção de escolha e não ter de ser uma necessidade.

Não sei o que posso fazer mais para o ajudar por isso as vossas experiências são extremamente importantes para mim. Como foi desse lado? Muito complicado ou nem por isso. Há algum sinal a que deva estar especialmente atenta?

Agradeço o tempo que possam dispensar a contar as vossas experiências.

Vou dando novidades acerca deste tema e de como vai evoluindo. Daqui a pouco vêm as ideias para a árvore de Natal.

Até já.
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5 comentários:

  1. Ola anabela,
    Eu tenho dois filhos e ambos andam no infantario desde 7/8 meses, infelizmente como tantas outras familias não pude "usufruir" mais tempo com os meus filhos, mas por outro lado facilita em termos de adaptação eles não sentem tanta diferença e tem menos manhas.
    A minha filha mais velha quando tinha 2 anos, passou por uma fase complicada, apesar de , ja andar na mesma escolhinha mudou de educadora nesse ano, começaram com o desfralde e com as sopas com pedaços, em vez de ser toda passada. Foram muitas mudanças e não correu nada bem, a unica coisa que lhe posso dizer é que conversar com a educadora e sentir que ele esta bem entregue e confiar nela é meio caminho andado para o coração de mae ficar mais sossegado. Doi imenso ve-los ficar a chorar e com as lagrimas nos olhos e cabisbaixos, mas eles sabem muito bem fazer charme e sabem como nos convencer a não ficar....

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    1. Olá Mimas.

      Obrigada pelo testemunho. Posso dizer que aquilo que verdadeiramente me descansa é precisamente isso que falou, confiar na educadora e já agora, na auxiliar também. Gosto bastante dela e o Tiago também.

      Quando optámos por mantê-lo apenas a parte da manhã foi precisamente para não ter uma mudança tão brusca entre o dia-a-dia que conhecia e este, para a adaptação ser mais suave.

      Vamos lá ver como vai ser. Estes dias ficou em casa devido a uma otite mas amanhã já regressa. Já me avisou que vai chorar (não sei se ria, se chore...)

      Bjs

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  2. A minha experiência também não foi das melhores. A minha filha entrou com 12 meses no infantário depois de ter estado comigo e depois com a minha sogra e deixava-a quase sempre a chorar. Claro que passado 5 minutos eu sabia que estava enturmada, mas era de partir o coração. Houve uma vez que caí na asneira de tornar a ir buscá-la porque não aguentei, mas nunca mais fiz isso. O meu truque era deixá-la no colo de uma das educadoras que ela mais gostava e deixava que ela levasse sempre o bonequinho preferido. Quando passou para a sala dos 4 anos, lá a convenci que já era muito crescida para chorar e passou-lhe da noite para o dia. Ele fica bem, acredita. E também sabe que vão sempre buscá-lo, mas é da natureza dele fazer um pouco de finca-pé, penso eu. É uma fase e vai passar. Beijo

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    1. Há coisas que ele faz em que percebo mesmo que me está a testar, como avisar com antecedência que vai chorar na escolinha. Com a idade, vai piorando. Do género, faz asneira e pisca o olho, mesmo à malandreco, a ver se passa. Tenho que contar mais coisas dele, porque faz com cada uma...

      Bjs e obrigada pelo testemunho

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  3. Ola Anabela! Olha eu também tive o privilégio de poder ter o meu filho até 16 meses com a avó paterna, e depois por opção nossa decidimos que devia ir para o infantario, até mais por causa da alimentação, porque ele começou a ser muito complicado a comer... vivo num apartamento e tinha que lhe vir dar a sopa para o parapeito da janela da cozinha:o( o primeiro dia foi muito bem, depois dái... era choro ao almoço... ele não comia ao almoço e depois ao lanche sabia que tinha outras coisas para comer... elas pegaram e começaram a dar-lhe a sopa ao lanche, ainda me lembro... mas pronto depois começou a ficar bem... olha mandava um brinquedo que ele gostava mto, para poder brincar e o proprio infantario tinha-nos pedido uma foto nossa, para quando ele tivesse saudades ir ver a foto...
    Agora também sei que a pré é bem diferente de um infantario... mas tens de ter persistencia, vais ver que ele se adapta!!!
    Beijinhos e muita coragem!!!

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