27 de agosto de 2013

Diminuir as birras


Birras, estamos nessa fase complicada. Parece que crescem de dia para dia. Frases comuns cá de casa são "mas eu quero...", "mas eu quero já...", "não vou...", "não faço..." e podia continuar mas acho melhor parar por aqui. Testa a minha paciência todos os dias e torna difícil o desafio que propus a mim mesma de diminuir os gritos cá em casa. É que uma pessoa diz uma, duas, três, quatro vezes. À quinta já sai grito e as coisas fazem-se. Quer-me parecer que isto é um ciclo vicioso, ciclo esse que tem de ser quebrado. Com toda a certeza há por ai muitos leitores que se relacionam, não é só cá em casa que acontece. Por isso, vá de me munir de todas as ferramentas que me ajudem a gerir a situação da melhor maneira. Já li alguns livros que falam sobre o assunto mas ainda preciso  de ler mais alguns. Por enquanto as dicas que hoje vos escrevo são aquelas que aplico cá em casa e que têm dado resultados muito positivos. Ajudam não só a diminuir as birras mas também a ansiedade, tanto dele como minha. Ajudam ainda a que ele lide melhor com as suas frustrações e melhore a sua capacidade de se acalmar.

Ter uma rotina certa
Apesar de estar em casa com ele, tento que tenha rotinas diárias para as refeições, para a sesta e para o deitar. Quando saímos da rotina por qualquer motivo noto logo diferença, principalmente no deitar.

Escolhas
Esta dica é a que melhores resultados tem tido. Dou-lhe alguma autonomia e poder de decisão (apesar de limitada) e ele fica todo contente. Tem evitado imensas birras. Estes são alguns exemplos de escolhas que lhe permito.
  • Comes tu sozinho ou queres que te dê?
  • Queres esta fruta ou aquela?
  • Queres esta cor ou aquela? Quando faço tintas caseiras.
  • O que queres jantar? Quando estou indecisa entre duas opções.
  • Qual destas t-shirts queres vestir? Ou outra roupa qualquer.
  • Queres ir no banco do carrinho ou lá dentro (carrinho das compras)?
  • Queres que leve esta fruta ou aquela?
  • Qual é o sumo que queres beber (escolho entre duas frutas)?
  • Se tenho variedade de alimentos na mesa (ex.: um jantar mexicano), deixo-o escolher o que quer que coloquemos no prato.
  • Escolhe sempre o livro para se ler antes de deitar.
  • Escolhe as músicas que quer que eu cante.
  • Escolhe o sabor da gelatina (quando faço, são sempre dois sabores).
  • Escolhe a bola que quer para jogarmos futebol
Planear o dia
Já li por diversas vezes que, se as crianças souberem o que está planeado fazer no dia a dia, são muito mais calmas. O facto de não saberem com o que contar aumenta bastante a sua ansiedade e terem de lidar com situações novas ou com o desconhecido constantemente causa-lhes muita insegurança. Por aqui comprovo isso muitas vezes. As situações mais comuns cá em casa são na hora de deitar quando tento dizer-lhe (mais ou menos) como será o dia seguinte, à hora da sesta tento dizer-lhe o que podemos fazer à tarde e, sempre que o deixo com os meus pais, dizer-lhe onde vou e o tempo que levo (como não tem noção do tempo, digo que chego antes ou logo depois de uma refeição).

Cumprir o que se promete, SEMPRE!
Não preciso escrever muito. Se não cumprir o que prometo,  que valor tem a minha palavra? Faz-me pensar muito bem nas promessas que faço.


Olhar nos olhos, à mesma altura
Quando tento acalmá-lo, já percebi que é melhor colocar-me de joelhos e olhá-lo nos olhos. Resulta melhor quando assim o faço.

Não, é não!
Aqui ainda tenho de melhorar porque o facto de não ser sempre firme faz com que ele assimile que, se fizer birra, tem o que quer. Ciclo vicioso a eliminar rapidamente.

Sítio do castigo, com temporizador
Cá em casa existe um sítio específico para ele ficar de castigo quando se torna necessário. Felizmente, não é usado muitas vezes. Tentámos que fosse um local onde não costuma estar a brincar mas que fosse na divisão onde eu costumo estar mais vezes. Como essa divisão é a cozinha, ficou o tapete na zona do lava-loiça. A juntar a isso usamos um temporizador que é colocado entre os 10 e os 15 minutos, consoante a birra ou a asneira. Tem sido muito útil para ele se acalmar e eu também.

Pronto, por aqui é assim. Já sabem que outras dicas são bem vindas e serão acrescentadas, com os devidos créditos.

Apesar desta fase complicada em termos de birras, há muita compensação com beijos, abraços, frases doces e uma imensidão de descobertas.
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12 comentários:

  1. Olá Anabela, adorei as dicas...obrigada!! Como te compreendo :) A minha filha começou muito cedo a fazer birras de manha porque todos os dias queria um vestido (coisas de meninas) ou nao queria aquelas cuecas, enfim havia sempre um problema..até que coloquei um puxador todo bonito a fazer de cabide atrás da porta a uma altura que ela chegue e no dia anterior coloco um cabide com tudo o que ela tem de vestir, todos os dias de manhã é ela que vai lá buscar toda contente e nunca mais houve birras!! Beijinho, Ana

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    1. Boa técnica. Damos-lhe autonomia com limites que eles nem percebem.

      Dicas são sempre boas.

      Bjs

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  2. Olá Anabela, por aqui também estamos na época de birras. Mais ou menos também procedo assim como a Anabela à excepção do tempo de castigo, que a conselho da pediatra e também do que tenho lido, deve ser 1 m por cada ano de idade da criança. Ex. 4 anos = 4 min de castigo.

    Resto de boa noite, Cristina

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    1. Cristina, no início também fazia assim, tempo de castigo reduzido. O que acontecia era que para ele aquilo era como se nada fosse e não fazia grande diferença por ser pouco tempo. Quando passei a colocá-lo mais tempo, notei melhorias significativas. Fica muito menos vezes de castigo.

      Há que adaptar a cada criança. Como ele é super activo, estar ali entre 10 a 15 minutos parado fá-lo repensar que da próxima é melhor não repetir.

      Bjs

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  3. Adorei o post e concordei com tudo ..:)

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    1. Espero que ajude de alguma forma, se estiver numa fase de lidar com birras. Não são dicas perfeitas mas foi e é o que me ajuda por aqui.

      Bjs

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  4. Gostei do post. Felizmente já passei esta fase, mas lembro-me que a firmeza era uma arma muito eficiente. E a coerência também. Trabalhar por antecipação também dava muitos frutos, ou seja, eles saberem de antemão o que se ia passar e não serem apanhados de surpresa. Por ex., "Podes brincar mais um bocadinho, mas quando eu disser vamos vestir o pijama, lavar os dentes, e cama", por oposição a "Agora vais vestir o pijama, etc." ou "Deixo-te ir às compras comigo, mas só vamos comprar o que está na lista, não quero pedinchices, se não para a próxima não vais" - devo dizer que só tive que aplicar a consequência (não as levar da próxima vez) uma única vez, a partir daí as compras passaram a correr às mil maravilhas. Quanto aos castigos, não eram frequentes, mas procurávamos sempre que tivessem algo que ver com a asneira cometida, para que houvesse uma maior interiorização do porquê não se deve fazer determinada coisa. Por ex. birra para comer, a consequência é não haver sobremesa ou doces o resto do dia (se não se tem fome para o almoço, também não se tem fome para guloseimas) - mas avisava no momento e normalmente com bons resultados, ou então, chamei 2, 3, 4 (...) vezes para a mesa e não veio porque estava a ver desenhos animados e não ligou nenhuma, a consequência é a televisão desligada e não há mais o resto do dia. E por aí fora, acho que quando há uma lógica no castigo, por a consequência estar directamente ligada à asneira, eles percebem muito melhor o que fizeram mal e o que daí pode advir, e corrigem melhor os comportamentos no futuro.

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    1. Ana, aqui disseste tudo e é no que preciso melhorar mais. Ser mais firme nas decisões.

      Também noto que quando o aviso antes de ir às compras, que não quero birras, nem gritos nem pedidos, também se porta melhor.

      Hoje em dia tenho feito uma coisa parecida com a que fazes em relação à TV, mas no que toca a brinquedos. Ele estrago imenso e brinca pouco. A consequência, se estiver a tentar estragar é retirar-lhe o brinquedo. Tem dado alguns frutos mas é algo a trabalhar ainda melhor. Acredito que isto seja fruto da falta de brincadeira com crianças da mesma idade. Estou a tratar do assunto.

      Bjs e obrigada pelo testemunho

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  5. Gostei do post. Felizmente já passei esta fase, mas lembro-me que a firmeza era uma arma muito eficiente. E a coerência também. Trabalhar por antecipação também dava muitos frutos, ou seja, eles saberem de antemão o que se ia passar e não serem apanhados de surpresa. Por ex., "Podes brincar mais um bocadinho, mas quando eu disser vamos vestir o pijama, lavar os dentes, e cama", por oposição a "Agora vais vestir o pijama, etc." ou "Deixo-te ir às compras comigo, mas só vamos comprar o que está na lista, não quero pedinchices, se não para a próxima não vais" - devo dizer que só tive que aplicar a consequência (não as levar da próxima vez) uma única vez, a partir daí as compras passaram a correr às mil maravilhas. Quanto aos castigos, não eram frequentes, mas procurávamos sempre que tivessem algo que ver com a asneira cometida, para que houvesse uma maior interiorização do porquê não se deve fazer determinada coisa. Por ex. birra para comer, a consequência é não haver sobremesa ou doces o resto do dia (se não se tem fome para o almoço, também não se tem fome para guloseimas) - mas avisava no momento e normalmente com bons resultados, ou então, chamei 2, 3, 4 (...) vezes para a mesa e não veio porque estava a ver desenhos animados e não ligou nenhuma, a consequência é a televisão desligada e não há mais o resto do dia. E por aí fora, acho que quando há uma lógica no castigo, por a consequência estar directamente ligada à asneira, eles percebem muito melhor o que fizeram mal e o que daí pode advir, e corrigem melhor os comportamentos no futuro.

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