12 de setembro de 2012

Sucesso escolar* - Dicas para melhorar a leitura

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Começo por dizer que não tenho nenhuma formação em psicologia infantil ou área semelhante (sou formada em gestão), por isso as dicas de sucesso escolar que vão ler são fruto da experiência de vinte anos a dar explicações e da aplicação prática (com respectivos resultados) daquilo que vou lendo em livros. Também não sou nenhuma mãe perfeita mas tento praticar a maioria das coisas que aqui falo. Não sei o que o futuro me reserva mas espero poder fazer uma grande diferença na vida do meu filho (pela positiva, claro!).

Vamos então falar de: Leitura

Primeiro que tudo gostaria de explicar porque decidi dedicar um post inteirinho só à leitura. É que uma criança que tem dificuldades na leitura tem, no geral, dificuldades em várias disciplinas que não apenas Língua Portuguesa. Já tive alunos cujas dificuldades em matemática resumiam-se ao facto de não entenderem o que lhes era pedido num problema. É que letras existem em qualquer área, seja matemática, história, ciências, química e por aí fora e, como tal, saber ler de forma correcta torna-se imperativo.

Segundo, gostaria de vos explicar como é que o nosso cérebro lê. Ora tentem ler o texto que se segue... 

"De aorcdo com uma peqsiusa de umauinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo." 

Conseguiram ler, certo? Pois, é por isso que as crianças que têm problemas de leitura lêem bem o início da palavra mas o resto muitas vezes inventam. Isto porque ainda lêem a palavra por sílabas e não como um todo. Por vezes, até dificuldade têm em assimilar o som de algumas letras.

Seguem então as dicas e, se tiverem mais alguma, por favor partilhem:

Façam um teste de visão
É importante verificar se não existem problemas de visão. Para isso marque uma consulta de oftalmologia para saber se há alguma necessidade de usar óculos. Por aqui já me dei conta mais do que uma vez que as dificuldades de leitura não eram mais do que problemas de visão. Assim que começaram a usar óculos, melhoraram substancialmente [não totalmente porque devido à falta de visão, tiveram atrasos na aprendizagem].

Explore a curiosidade
Ou, se quiserem, a necessidade. Faça uma receita de culinária com ele (terá de ser ele a ler a receita, obviamente), peça-lhe pequenos recados, se vai às compras com os seus filhos dê-lhes uma pequena lista e peça para irem buscar esses produtos (quanto mais específicos, melhor). No fundo, faça com que sintam necessidade e curiosidade no processo da leitura. Já diz o ditado... "a necessidade aguça o engenho".

Aproveite o poder dos jogos
Ao mesmo tempo que passam bons momentos em família, treinam a leitura. Alguns exemplos são o Trivial Persuit, o Monopólio, o Scrabble e as sopas de letras.

Leia histórias ao seu filho
Mesmo desde pequeninos, a utilização de livros de imagens é muito benéfica, desenvolve a criativade e a imaginação. Tudo isto leva ao primeiro ponto e, por isso, o mais importante. Outra coisa que também tem muito a ver com esse ponto é o que dão aos vossos filhos para ler. Não é preciso ser um livro especificamente para a idade deles. Pode ser uma revista ou um folheto de interesse para eles. Por exemplo, um dos meus explicandos trazia uma revista de carros para ler.

Tente que o seu filho use um diário
Mas não faça disso uma  luta. Basta que escrevam duas a três linhas a contar os momentos mais marcantes do dia. Não é dos exercícios que mais ajudam na leitura mas ajudam na escrita e compreensão de textos, afinal está tudo interligado. E se passarem dias em que não escrevem uma linha, não stressem, isto é apenas mais um exercício no meio de muitos.

Faça exercícios básicos mas importantes
Apesar de uma criança estar no 3º ou 4º ano, pode e deve fazer exercícios básicos de 1º ano. Se têm dificuldades na leitura é porque as bases não foram aprendidas devidamente. Logo, fazer exercícios de aprendizagem de letras, exercícios para completar palavras/frases, exercícios de substituição de imagens por palavras e ainda de ordenação (seja palavras ou frases) é de grande utilidade. Além do treino, os exercícios básicos servem ainda para melhorar a auto-estima, pois decerto conseguem fazer as fichas mais facilmente. Convém é não dizer ou mostrar que são fichas de 1º ano, pois de contrário pode ter o efeito oposto, ou seja, ficarem desmotivados por ainda terem de fazer fichas simples.

Incentive as listas
Está muito relacionado com o primeiro ponto por isso, use e abuse de listas, quer sejam de supermercado, recados, materiais escolares, etc. Obriga-os a ter de ler para perceber o que é pedido. O ideal é que as listas sejam de temas que gostem. Por exemplo, pode pedir ao seu filho que elabore a lista de material escolar a comprar e que seja ele a orientar a recolha desse mesmo material dentro da loja. Obviamente que terá de ser um adulto a limitar os preços e a escolha.

Tenha paciência
Respeite o timing da criança. Muitas vezes é uma questão física, de desenvolvimento do cérebro. Foram inúmeras as vezes que presenciei isto. De um momento para o outro os miúdos desenvolvem de uma forma incrível, quer seja a nível físico como mental. Este "atraso" tem muito a ver com a idade com que começam a escola. Onde vejo mais esta mudança são em crianças que fazem os 6 anos depois de já terem iniciado as aulas. Quando assim é, aconselho vivamente a iniciarem a escola apenas no ano seguinte.

Corrija de forma positiva
Quando estiverem a ler juntos é importante a forma como corrige. Não é preciso dizer "está errado, não é assim..." no meio de uma leitura. Basta que diga a palavra de forma correcta e peça à criança para olhar para ela e repetir. Mas explique esta regra no início da leitura para que esta seja fluída e não tanto aos solavancos. Isto ajuda na compreensão do que se lê pois a interrupção não é tão notória.

E pronto, as dicas que tenho a partilhar são estas. Muito fruto da minha experiência e também de alguma pesquisa. Espero sinceramente que vos ajude. Qualquer dúvida, já sabem, comentários ou email.

Desejo um dia positivo a todos
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5 comentários:

  1. Ola Anabela. Esta semana mandei-te um mail. Queria falar mais em privado contigo sobre o meu enteado. Eu enganei-me no meu e-mail em algumas frases, espero que percebas.
    Se fosse possivel ... Obrigado, Beijinhos.
    Esta rubrica está a ajudar-me a perceber melhor algumas coisas :)

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  2. É impressionante este post...

    O meu filho entrou para o 1º ano com 5 anos (hoje não faria o mesmo) e aquilo de que falas em ter paciência é realmente o que se passa com o meu tesouro, é um bom aluno, mas percebo perfeitamente que a parte interpretativa ainda não está desenvolvida. Este ano até ponderei a hipótese de o colocar nas explicações, mas várias são as opiniões, incluindo a professora, que esse é um problema de imaturidade, próprio da idade que tem, pois vai iniciar o 3º ano com 7 anos, quando alguns colegas estão a fazer os 9.

    Acho que vou abandonar essa ideia e dentro possível, trabalhar mais essa parte em casa.

    Obrigada pela partilha.

    Bjs,
    MJ

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    1. Olá Maria João.

      Olha, neste momento tenho dois meninos a repetir o 3º ano por essa razão e, se ele tem notas sempre mais para a negativa do que para a positiva, aconselho mesmo a que repita o ano. Poderá ser complicado para ele, de início, mas depois acaba por ser bom porque vai sentir que está ao nível dos outros e não atrás. É óptimo para a motivação.

      No entanto, se ele estiver na casa dos Satisfaz e Bons (e é a mãe que gostaria que ele tivesse notas de Muito bom e Excelente), não é de todo aconselhável que ele repita porque, assim de repente, ele acaba por dar um "salto" e acompanhar bem tudo o que lhe é ensinado.

      Quanto ao explicador (parte VII da rubrica), deverá ser uma opção (mas apenas se for o único explicando) se em casa houver discussões acesas quando estiverem a fazer exercícios. Não é bom, nem para ele, nem para o resto da família.

      Qualquer dúvida, mande email. Se eu puder ajudar, ficarei muito contente.

      Bjs

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  3. Olá,

    Gostei do teu post e acho que deixaste aqui boas ideias. Diria que é tão simples quanto isto, mas é também tão complexo quanto isto. É um trabalho contínuo e de persistência!
    Interessante o parágrafo da "leitura pelo nosso cérebro", desconhecia mas fiz a experiência (ou seja, li) e fiquei surpreendida!

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  4. Obr pelos conselhos , a minha pequenita começou hoje no 1º ano,ando a ver qual será melhor maneira de seguir e incentivar a ter gosto pelo que aprende.Isto vai ser uma montanha russa ,mas penso que vou superar como muita gente o faz.
    xox
    Lulu

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